Eu Diria Que

Pequena oficina textual particular.

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(Source: brazilwonders)

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(via geekonheels)

2012: O Apocalipse da Internet?

     O ano de 2012 mal chegou e já estamos encarando a possibilidade do mundo acabar. Mas não o mundo físico; e sim o mundo como conhecemos - estou falando da Internet. São os projetos conhecidos como “SOPA” e “PIPA”, que podem censurar a Rede Mundial de Computadores. Os downloads ilegais podem finalmente ser considerados crimes sérios, o que dificultaria o acesso de milhões de pessoas a filmes, músicas e diversos outros produtos protegidos por direitos autorais.

     À primeira vista, os projetos parecem absurdos. Não somente os downloads seriam interrompidos, mas também o funcionamento de muitos dos sites mais populares de toda a Internet; que se popularizam justamente devido a facilidade de se divulgar conteúdos midiáticos como fotos, imagens e filmes. Podemos incluir aí sites de vídeos como o YouTube e praticamente todas as famosas Redes Sociais, como o Facebook. Isso pra não falar dos blogs; a forma como se bloga hoje teria que ser completamente revista.

     Praticamente tudo o que a Internet trouxe de novo ao nosso mundo, desde que foi criada, correria o risco de ser erradicado. Hoje diversos sites ameaçam sair do ar em protesto às medidas de censura; o que certamente faria o mundo entrar em colapso. Estes mesmos sites fazem parte do cotidiano de muitas pessoas ao redor do mundo, e mais, já fazem parte da vida delas; além de formarem mercados dos que mais movimentam a Economia Mundial. O que viria a seguir?

    Talvez a resposta não seja tão catastrófica assim. Como já mencionei em um outro texto, sou extremamente crítico em tudo o que recebo de informação; especialmente quando algo movimenta as massas. Hoje vejo em todos os lugares protesto e indignação contra os projetos americanos de censura da Internet, mas me pergunto: seria isso a ânsia pela liberdade ou o triunfo da preguiça?

    Assim, talvez você esteja chocado. Reconheço que vou soar como um maluco do caralho.

     O que tenho visto é uma desgraça sem medidas. O acesso sem limites a todo tipo de lixo solto na Internet tem moldado mentes cada vez mais estúpidas. Toda essa confusão tem interferido de forma extremamente ruim na formação de crianças, adolescentes e desavisados por aí. Além disso, músicos de todo o mundo e outros artistas estão sofrendo cada vez mais com infrações aos direitos autorais.

    Pare pra pensar: Em outros tempos, em que as pessoas não passavam o dia inteiro online, elas tinham que se virar pra conseguir o que queriam. E a dificuldade desenvolve a criatividade.

     Talvez você discorde, mas para mim, grande parte do que de melhor foi produzido artisticamente foi concebido antes da era da Internet. Tempos diferentes, onde as manifestações da juventude eram feitas nas ruas, não via Facebook (E não estou falando da Primavera Árabe, e sim dos Revolucionários de Rede Social, que “fazem a revolução sentados”). Época quando você tinha que ir atrás de seus interesses; quando os jovens protestavam contra a guerra e a opressão. Esses protestos geraram diversas iniciativas e movimentos musicais, por exemplo, venerados até hoje. A Internet, por outro lado, nos revelou fenômenos musicais incríveis, como o Justin Bieber e a Rebecca Black. Enquanto no passado se cantava sobre governos abusivos e repressão, hoje se canta sobre a sexta feira mais idiota que você pode imaginar.

     Tudo isso é muito vago, é claro. Na verdade, não há solução simples para nada disso.

    Gostaria de deixar claro, aqui, que não sou a favor de todos irem viver nus na floresta, fumando a erva e se largando num interminável Ninguém é de Ninguém. Nem da abolição de toda a forma de tecnologia e modernidade, nada disso. Mas não posso negar que se televisões fossem abolidas a sociedade só teria a melhorar. Quanto à Internet, acho que não podemos negar que grande parte do que fazemos online é completamente inútil e acaba impedindo que façamos coisas melhores; e toda a tecnologia que nos é empurrada muitas vezes nos distrai, de forma que deixemos de perceber e pensar em muitas coisas.

     Acho que a Internet ainda é algo muito novo; apesar de já se terem passado anos; pois se trata de uma revolução muito grande. Embora muitos de nós tenham praticamente nascido junto com ela e estarem completamente familiarizados, ainda não temos noção do que ela representa na História da Humanidade. Temos acesso todos os dias a um turbilhão de informações e conteúdos; e nem sempre estamos preparados para lidar com isso.

     O que faremos, então? Não sei. Simplesmente não sei. Mas confesso que estou extremamente curioso para saber o que realmente aconteceria se o SOPA e o PIPA fossem levados adiantes. Se isso acontecesse eu com certeza seria afetado, mas não temo isso tanto assim. É bom sempre tentar ver as coisas em diferentes pontos de vista. Este texto está cheio de ideias confusas; talvez prematuras, às vezes apenas embriões; às vezes nem tão claras. Reconheço que ele levanta mais Perguntas do que Respostas. Mas considero esta reflexão válida. Sinceramente, não acredito que os projetos sejam implantados, nem que haja censura na Internet. Para mim, continuaremos a ter nossas vidinhas tediosas e preguiçosas. E sobrarão tolos ingenuamente orgulhosos de terem “lutado contra essa repressão”. (É foda não ter contra o que lutar, né cara. Vide os “GAP Universitários” da vida.)

     Mas e se isso acontecesse? Seria 2012 mesmo um apocalipse? Ou seria apenas um reboot foda?

A Sociedade em Rede: Realidade traduzida em dados (ENEM 2011)

A internet se populariza cada vez mais, chegando ao ponto do acesso à rede ser declarado um direito fundamental do ser humano pela ONU. Com isso avança o processo de tradução da nossa realidade em dados, mas ainda não se pode afirmar se isso é bom ou ruim, definitivamente. A linha que separa o público do privado se torna cada vez mais tênue.

O acesso às redes sociais se multiplica cada vez mais entre os usuários; hoje a individualidade de uma pessoa pode depender de um perfil seu na rede, funcionando como um documento: quem não se conecta acaba se isolando da sociedade. Acabamos por criar uma segunda realidade, que tem se tornado tão importante que num caso de colapso poderia até mesmo abalar a sociedade da primeira.

Com tantas pessoas trocando informações por um veículo tão acessível, as possibilidades se incidentes se multiplicam. Essas informações não dependem mais de ouvidos ou da memória de alguém: ficam registradas na rede e podem ser encontradas facilmente, embora muitas pessoas se esforcem em tentar ocultá-las. Com isso muitas gafes de famosos, por exemplo, se popularizam rapidamente pela rede. Muitos, acreditando estarem protegidos pelo anonimato, praticam o chamado “cyberbullying”, outros cometendo até mesmo crimes.

A rede pode até facilitar a ação de criminosos, mas pode também dificultá-la. Apesar da flexibilidade da lei - sobretudo no Brasil -, ilude-se quem imagina que pode fazer o que quiser sem ser responsabilizado por seus atos. A popularização das redes sociais, por exemplo, pode também facilitar o trabalho das autoridades nas investigações. Grupos neonazistas, pedófilos e outros delinqüentes são frequentemente encontrados pela polícia na rede.

A internet nos obriga a rever nossos conceitos de público e privado, seja para nosso próprio conforto ou até mesmo para nossa própria segurança. A rede se tornou um assunto tão sério que nela também temos que nos policiar em relação a como agir. Ela representa a vanguarda dos veículos de comunicação, facilitando a troca de informações – desejadas ou indesejadas -, mas exigindo o seu preço: nos expondo mais do que gostaríamos. Os olhos se multiplicam sobre nós, sejam eles de nossos amigos, familiares, de criminosos ou das autoridades.